Das palavras que podiam ser minhas ou da primeira vez que durmo sem a minha filha

Liv Tyler
Liv Tyler
Sou forte demais para me entregar e fraca demais para suportar alguns fardos sem derramar um punhado de lágrimas.
De vez em quando preciso chorar em algum canto. Extravasar o que aperta e faz sangrar. Não dá pra guardar tudo no seu (suposto) devido lugar e fingir que a vida é cena bonita de filme.
Nunca pensei em desistir, mas às vezes bate um desânimo. A dor me consome e o cansaço me desgasta. Procuro achar saídas, mas parece que ando em círculos. Percebo que as coisas trocam de lugar, porém nunca se resolvem de forma definitiva. Fico me perguntando o que faço de errado, tento trocar as formas de agir e lidar com as situações. Quando penso que algo está entrando nos eixos tenho uma surpresa desagradável.
Já cheguei a cogitar inúmeras hipóteses, mas nunca chego a uma conclusão definitiva. Sei que nesta vida temos nossos carmas, cruzes, resgates e aprendizados. Tento fazer o que posso e aproveitar cada lição que me é ofertada, mas não sou perfeita e nem sempre tenho a fé necessária para acreditar. E eu sei (eu sei!) que preciso acreditar. Só que às vezes dói tanto, às vezes a aflição é tão grande e me domina de uma tal forma que não sei se vou suportar.
Texto extraído do blogue da inspiradora Clarissa Corrêa
A Little Princess está de férias com o Pai e pela primeira vez desde que nasceu que não lhe dei um beijo de boa noite, nem ouvi a respiração tranquila enquanto dorme.
Sei que tem de ser assim. Quando tomei a decisão de me separar, sabia que isto ia acontecer. Todos me pedem para ser forte e tento ser mas que ninguém queira sentir o vazio, a dor, a preocupação, a saudade, a revolta que trago comigo. Não vivo. Sobrevivo, até à hora de a voltar a ver e abraçar. Se estou em casa, o silêncio dá medo. Se saio à rua, olhar para as crianças provoca lágrimas.
Nestes dias assim preferia a cobardia de passá-los a dormir para não sentir.
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3 Replies to “Das palavras que podiam ser minhas ou da primeira vez que durmo sem a minha filha”

  1. Tranquiliza o teu coração, se pelo menos sabes que ela está bem e feliz. O lugar de mãe será jamais ocupado e os laços fortes que crias com ela todos os dias devem ser nestes momentos a tua âncora. Um beijinho grande e um abracinho reconfortante (ou pelo menos com esse sentido;)

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  2. Acredito que seja mesmo difícil. Eu que sou mãe quando saio de casa por uns minutos e deixo o meu bebé com a avó não paro de pensar nele. Imagino a tua dor nestes dias…

    Beijo grande, vai passar rápido, vai ver :*

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